domingo, 10 de maio de 2009

Procura-se por Natureza

Amar é o motivo
a generosidade é o gesto
a simplicidade é o segredo
o desprendimento é o desafio
brincar é o brilho
namorar é o delírio
a cumplicidade é o clima
errar é a rima
a compreensão é a canção
a ternura é a trama
a paixão é a chama
o encantamento somos todos
juntos e livres
desaprendendo reinventando
e compartilhando
coisas de amor

menina encantada
tu parece que desabrochou
de um poético conto de fada

Natureza.

E isso é tudo o que me restou dele, os cabelos brancos, a rima e a menina das águas. Meu eterno amigo guardado nos seus longos cabelos grisalhos...
Se o Natureza não aparecer, a menina das águas vai ficar presa na terceira gaveta, onde sempre ficaram guardados os meus retalhos.

O encanto

Uma pétala abriu o Sol
Uma nuvem caiu no mar
E o céu se foi.
Um pescador perdeu o anzol
A borboleta esqueceu de voar
e se encantou.

O mundo perdeu seu nome
A estrela, seu brilho
E toda calma do universo
Foi parar num trovador.

Sumiram todas as gaivotas
Atônitas, como os idiotas
que insistiam em cantar.
Com linhas mortas,
Não havia poeta
Para rimar o luar.

Mesmo assim ainda havia encanto.

Juntos descobrimos
que todos os sonhos
se jogam do mar.
Juntos provamos
para os quatro cantos
que rodamos o mundo
sem sair do lugar.

Menina das águas.

p.s.: se alguém achar o Natureza por aí, nas ruas da cidade solar, por favor poste aqui! Se você não o achou, mas ficou comovido com a história, sinta-se a vontade para postar também.^^

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

(In)decisão - 1o ato

(as cortinas se abrem, som de trânsito, e cenário de café. Duas mulheres conversam, parecem curiosamente estranhas. Até que uma delas decide largar a xícara e quebrar o silêncio...)


Jessik@ diz:

humm

Jessik@ diz:

bem

Jessik@ diz:

sabe o que eu vou fazer a partir de agora?

Morganna - diz:

o que?

Jessik@ diz:

evitar falar com homens na net

Morganna - diz:

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Jessik@ diz:

quando não é doido

Jessik@ diz:

é maníaco

Jessik@ diz:

eu acho q aquele carinha do sul haeckeou meu msn

Jessik@ diz:

sabia?

Jessik@ diz:

e faz um tempo que uns numeros estranhos me ligam

Jessik@ diz:

ontem na madrugada foi um tal de 00002202

Jessik@ diz:

eu retornei

Jessik@ diz:

e o numero naum existe. =O

Jessik@ diz:

eu tava na aula

Jessik@ diz:

e um "sem numero" me ligou 2 vezes

Jessik@ diz:

eu tou com medo

Jessik@ diz:

obs.: o gringo tem meu endereço.

Jessik@ diz:

=O

Morganna - diz:

kkkkkkkkkkkkkkkk

Jessik@ diz:

imagina se ele faz alguma coisa...

Morganna - diz:

relaxa.

Morganna - diz:

ele não vai fazer nada.

Jessik@ diz:

sei lah

Jessik@ diz:

eu tbm achei q o do sul naum fazia nada

Jessik@ diz:

mas agora tenho minhas dúvidas

Morganna - diz:

fica tranquila, amora.

Jessik@ diz:

tou tranquila

Jessik@ diz: (com uma expressão estranhamente erótica)

mas isso é uma forma de deixar minha vida mais emocionante.



(cortinas se fecham)

(*os pseudônimos "gringo" e "carinha do sul" participam inconscientes da trama.)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Presente!

Uma hora eu tinha que postar, né. Ou não. A Anna presenteou O Para Guardar o Tempo com o selo do 'Olha que Blog Maneiro'! As regras estão aqui. E eu passo o selo para: Aoptimista, Cena 7, P.S. - Palavras e Silêncio, No Mundo da Lua e Outras Histórias, Devaneios e Loucuras, Privada Virtual, Quintal de Felicidades, Meio Lálálá, Toda Forma de Poder e Arché.


(ando desacostumada a postar. mas prometo que um dia eu volto. :D)

domingo, 25 de janeiro de 2009

Pelos ácaros e ferrugens de cada tarde

Li o que não queria ler. Talvez por isso a náusea mental tenha me atingido esses dias. O pôr-do-sol incomoda, as promessas de dias melhores me explodem em cefaléias e as pessoas de fumaça agridem meus dentes sensíveis. Não sou clínico geral, mas acho que sofro de alergia generalizada e alegria súbita e crônica. Tenho visão dupla às vezes, são as peçonhas que me atacam algumas vezes. Não há problema nisso.
Aprendi a falar palavras carinhosas para os estranhos afetos que me visitam semanalmente. Isso justifica meu estado em retalhos. Há pedaços de mim por todo mundo, todos eles guardados aqui dentro. Tenho a ferrugem das mentiras ditas ao pé do ouvido como grandes verdades. Eu fingi acreditar e depois passei a acreditar de fato. O que me salva é minha fuga sutil, uns poucos segundos de êxtase, uma boa dose de noites acordadas, o meu bem incomum.
Cada parte de mim tende a morrer a cada respiração. A cada ferrugem no sorriso do Sol, o brilho desfarçado por resíduos discretos. A cada deus caído por belas acusações. A cada verdade escondida para apaziguar o tempo. A cada segundo que me esqueço, para lembrar após a meia noite. A cada estrela morta que insiste em brilhar inexplicavelmente.
Mesmo assim, ainda brindo com os ácaros debaixo dos tapetes, dos livros, dos tecidos, das bebidas envelhecidas. Corto a garganta para esquecer a sede, queimo a carne viva para vencer a peçonha, mastigo a ferrugem para oxidar meus circuitos. Arranco os cabelos para sentir o vento da tarde passar. Assim, sobrevivo sem a menor dor.

sábado, 29 de novembro de 2008

O legado de minha miséria

Algum lugar deste mundo, 15 de abril de 1979.

Alguém há de lembrar do nosso tempo quando as horas estiverem falhas. Sem nenhuma pretensão de espaço ou idéia do fim, haverá alguém para abrir as gavetas empoeiradas da lembrança. Estarão petrificadas as nossas cenas de vida como fitas de cinema em pausa. Depois os cafés que dividi com todos que assassinei. As suas inseguranças antes de dormir. A insônia misturada ao meu mal secreto e ilegal. As noites curtas em San Marino. A minha juventude francesa e a ignorância da sua juventude atual. A minha prepotência e a sua impaciência, esperando por um acontecimento a mais, esperando por uma mudança radical em sua vida, um tédio que cansou do seu comodismo.
Alguém há de chorar e alagar a miséria que sempre foi fluido que uniu o meu e o seu tempo, até perceber, que, apesar de diferentes, naufragamos no mesmo cais, nos encontramos em um mesmo corpo e nossos objetivos são os mesmos, mesmo quando estamos em estações diferentes.
Nunca pensei em comunicar-lhe isso, mas sou um fruto do acaso.


Veronicka

domingo, 7 de setembro de 2008

A causa das coisas


Um dia desses, a borboleta Morganna estava com um dedinho de prosa com a Jessika louva-deus... daí o dedo de prosa virou mão de poesia e firmaram um compromisso:
- De fino trato com que juramos ao Sol
- De prosaico compromisso que gira poesia
- Que nossa amizade nos pesque como anzol
- Quando faltar sorriso, que nos traga alegria
Mas, de repente, mais que rapidamente, a garça feroz atacou a Jessika louva-deus com um sopro barulhento, quebrando o som da poesia. Aí veio uma nuvem de grafite, aí veio a chuva espantar o sol, aí veio a libélula sem óculos pairando no caminho, aí o bosque ensurdeceu.
Tudo por causa da garça.
A borboleta Morganna, entre um pingo de chuva e outro, abriu suas asas fininhas, e o cinzento da garça foi derrotado pelo colorido da borboleta. Bateu e bateu as asas até que um tufão de alegria explodiu do outro lado do mundo...
Aí as nuvens foram embora, aí a floresta voltou a ser verde, aí a libélula achou os óculos, aí a semente da aurora germinou, aí o arco-íris se formou e a Jessika louva-deus apareceu com a asa partida, mas não estava mais ferida:
- Que nossa amizade seja doce e forte como o bater de suas asas.
E o mundo ficou todo colorido. E uma nova corrente se firmou no mundo.
Tudo por causa da borboleta.
"sei que o vento que entortou a flor, passou também pro nosso lar, e foi você quem desviou com golpes de pincel..."

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Todo e qualquer instante

Entre a garra do lobo
Entre a face e o outro
Entre a raiz e a terra
Entre a presa e a fera

Que seja semente

Entre o braço e o abraço
Que entre o beijo roubado
No verso rabiscado
Entre o fogo cruzado

Dentre o tiro e o sangue
O universo e o infinito
Sem qualquer sentido
Em todo e qualquer instante

A faca e o corte
a dor do ferimento
qualquer sentimento
de vida ou morte

Pelos beijos ainda na boca
Pelas palavras ainda na garganta
Pelo gesto ainda no corpo
Pelo pensamento ainda em mente
Pela chuva ainda a cair
Pelos amigos ainda desconhecidos
Pelos meus olhos contidos...

sóbrios navegantes do tempo.

Por qualquer dor que houver
Que eu esteja vivo
Pelo tempo que valeu a pena
ter sofrido
Pelo meu sentimento distante
Por todo e qualquer instante...

Que seja altivo!

p.s.: Juro que não é de minha autoria... juro!