sábado, 27 de fevereiro de 2010

O que te importa, exporta?

O que realmente importa nessa vida? Me importo com tantas coisas que vão se "desimportando" com o passar dos dias... Aí vem o tal de tempo trazendo novas importâncias que se vão da mesma forma que vieram. Meu erro é cair na armadilha de levar tão a sério as "desimportantes importâncias".
Busco algo ainda indeterminado, como necessito da busca, vou transferindo-a para as minhas atuais importâncias, que posteriormente vai ser passada para as futuras importâncias e assim sucessivamente até que eu ache uma forma, além do meu natural, de permanecer em calma, de cansar de buscar pelo indeterminado, atingir um caos interior no qual nada mais me importe.
Não falo em ligar o "foda-se" ou deixar tudo pro ar. O caos interior seria um estágio de vida aparentemente comum - acordar, ver um jornal, sentir vontade de ler um livro, amar, sentir sono, trabalhar, enfim. Porém, com a condição de não mais se abalar pelo indeterminado. De estar tão pleno de confusões, colisões e vida, que o indeterminado possa ser rebaixado ao vagão das desimportâncias. Vivendo assim, sem nada mais para me importar, terei o caminho livre para me exportar, para ser maior que o meu próprio corpo em eterno abalo, tão intenso e magnífico a ponto de atenuar todo e qualquer sismo.
Não sei ainda se quero alcançar o caos interior, pode ser que um dia eu até me esqueça dessa idéia, pode ser que ela permaneça como um antigo querer de criança, até lembro que desejava morar numa casa na árvore. Continuo desejando. Mas essa história eu posso contar na próxima, quando ela estiver importando para mim, ou talvez quando estiver cultuando meu caos interior numa dessas casas de árvores...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Pasár-guarda

Deixa ela aí...
Deixe e guarde-a!

domingo, 10 de janeiro de 2010

Sente-se.

- Não precisa fazer sentido, basta ser sentido.
E não disse mais nada. Deixou-me, sozinha, abrir os colchetes da vida e ver que toda a expressão não tinha sentido. Troquei os sinais, as vírgulas, os pontos e os finais. Deu na interrogação. Mas... significa tanto, dou tanto valor ao espaço entre os colchetes. Aliás, ele é tudo o que eu tenho, é o que eu guardo, confesso que às vezes rasgo, mas tá guardado do mesmo jeito. Ao fim, nem sentido tem.
Não faz sentido o e-mail, a mensagem, a carta lida que eu deixo lá para não perder a lembrança. Não faz sentido a foto, o desenho, a música, o cd na gaveta. Não faz sentido o choro, o riso, a extrema tristeza ou alegria. Não faz sentido percorrer, ficar, parar, nascer ou morrer. Não é do sentido procurar sentidos mínimos, se é muito pequeno, não é sentido. Se é grande demais, o sentido desaparece. Mas posso imaginá-lo como banal ou vago: naquele ou nesse sentido.
Entre os meus colchetes, eu sinto. Quando eu explico o que eu sinto, não há sentido. O sentir faz o sentido fugir de sua essência. Se eu deposito sentimento naquilo que inicialmente não faz sentido, aquilo passa a ter um sentido, o meu sentido. O sentir faz o sentido ficar sem sentido. De repente o fazer sentido é vago, é limitado, é subordinado ao sentir. Ser sensível à vida é jogar fora toda a poeira e tralha que existe no fazer sentido.
Percorri o espaço entre os colchetes sem mais mudar nada. Pulei do fazer sentido para o sentir. Isto bastou para que o tempo devolvesse a calma às coisas.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Cala-te, Veronicka! II

Estava acordando quando a Veronicka mais uma vez saiu da gaveta. Eu cabisbaixa sem a mínima vontade de sair para ver o Sol, por volta das 8 da manhã:

Jessika: É por isso que eu odeio férias. Falta recheio.
Veronicka: Você se dói por dentro.
Jessika: Devo ir ao médico? Voltar ao psicólogo confuso? Tentar esportes radicais como fazer compras no centro de Fortaleza?
Veronicka: Eu não sei.
Jessika: Falou a que sabe de mim...
Veronicka: Eu sei de você, mas não posso responder seus métodos loucos de se anestesiar por dentro. Tá faltando a caixinha na farmácia. Uma dose de literatura e você cai dura no choro. O que você tem não tem cura.
Jessika: Uma dose e meia de trabalhos e eu levanto da cama num instante.
(silêncio)
Jessika: Eu sou uma grande careta.
Veronicka: Que nada... na verdade, você sofre da dor do amor romântico. Eu tinha a mesma síndrome, por isso eu criei minha obcessão na morte masculina pré-afetiva.
Jessika: Vou voltar a dormir...
Veronicka: Acorde, meu bem. Você vai sofrer que nem uma vaca de tetas puxadas, mas depois passa.
Jessika: Louca! Cala a boca, Veronicka!

Levantei, escovei os dentes, tomei banho e fui comer pão com café.

sábado, 28 de novembro de 2009

Photo-hai-cais!


Dançarina Flamenca
"Bater firme com o pé esquerdo...
Com qual das mãos eu escrevo?"

Na Janela
Ela era todo o sorriso
E o sorriso era todo dela.

(Des)prazer
Gozava da asa,
mas não levantava vôo.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Cala-te, Veronicka!

Veronicka é uma amiga imaginária que vim a ter aos 16 anos, ela veio me tirando o sono através de cartas- muitas delas estão com a Morganna. Isso numa noite qualquer, aqui no quarto. A Veronicka me escrevia barbaridades enquanto eu não dormia, atualmente ela se encontra na terceira gaveta da minha mesa, junto com as outras. Depois da Veronicka vieram a Laura, a Brigitte, a Clarissa e a Menina das Águas. (não necessariamente nessa ordem).

Hoje, pela manhã, a Veronicka saiu da gaveta:

-Jessika, você sente vontade de matar homens constantemente?
-Não, quer dizer, depende do homem... às vezes sim. Na verdade, eu... você sabe...
-É eu sei. Mas você, não!
-O que eu não sei?
-Muitas coisas, querida, inclusive eu. Quando eu tinha a sua idade, meu feitiche era matar os homens após sugá-los o "pearl jam".
-Viúva negra! Será que você é uma aranha em essência me perturbando o juízo?
- Tá vendo! Você não sabe de mim, mas eu sei de você. Jessika, se eu fosse você, exploraria mais a minha capacidade dominadora.
- Se eu fosse eu, talvez fizesse isso.
- Isso o quê? Estupraria lésbicas e torturaria homens inocentes?
- Isso é o que você faria. Não eu.
- E se você fosse você, o que estaria fazendo agora?
- Sinceramente, se eu fosse eu estaria nesse quarto tendo essa conversa contigo. Não consigo ver nada mais parecido comigo do que estar discutindo com uma assassina velha e nostálgica que mora na terceira gaveta da minha mesa.
- Então você está sendo você!

(Minha mãe passa pelo corredor e diz: "Jessika, quem está aí com você?" eu tento disfarçar pegando o celular e falo: "Veronicka, a gente se vê amanhã no Pici". Tenho certeza que minha mãe não achou normal, mas fingiu)

- Filha, o café está pronto, vem!
- Tou indo, mãe!

(Minha mãe sai e a Veronicka volta a falar)

- Estás louca! Falando sozinha... Esquizofrenia ou ócio sexual?
- Cala a boca, Veronicka!

(Saí do quarto, fui tomar o café da manhã.)

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Lá e cá

Bem incluída e acomodada nas sublimes tardes de setembro... é quase sempre este o meu estágio de "tudo sobre controle". O caso é que não há controle em nada, não há quem ligue e desligue a dinâmica dos tempos. O ócio foi embora e o passarinho azul pousou em você e disse: "é hora de crescer".
Então criou-se sobre nosso universo a idéia de estar maior a cada dia, mas a gente esqueceu que estar maior não necessariamente traduz o crescimento. A gente cria o próprio tempo e tem o poder de voltar sem ele (sabendo ou não o caminho de volta), apesar de perigoso, há sempre a opção - nem certa, nem errada - a opção existe.
Decidi ficar no meio fio, o lugar que não exige esforço, mas para estar contido nele é preciso ter um pé firme. Se eu estivesse em mim, não me haveria vida, nem esse tal do "se" insistente e agonizante o qual interrompe a passagem desta tarde.
Desconheço toda e qualquer forma de vida que foge do meu pensamento, desvirtuo todos os meus desejos antigos e até macero os meus restos que deixo pelo caminho. Se fosse para viver, eu não me bastaria. Se fosse para morrer, seria logo - jovem- quando a chama da vida é alta e bela. Se fosse um sonho, eu era de fumaça e bolas. Mas é para existir, e existindo só tenho indefinições.
Vai ver é isso que me separa do sentido maior, vai ver é o que me torna vivo, ou quase.
Respira fundo e sopra pros outros lados: as sete faces do mês.